Classe Social e Ordem Social

Vejamos agora a estrutura social da cidade do São Salvador, começando pelos dois extremos: escravos de um lado e senhores do outro. E discutindo o papel dos libertos e os trabalhadores brancos nesta sociedade.

Foi no âmbito da produção açucareira que se deu com maior nitidez a gradativa passagem da escravidão indígena para a africana. Nas décadas de 1550 e 1560, praticamente não havia africanos nos engenhos do Nordeste. A mão-de-obra era constituída por escravos índios ou, em muito menor escala, por índios provenientes das aldeias jesuíticas, que recebiam um salário ínfimo. Tomando o exemplo de um grande engenho o de Sergipe do Conde, na Bahia, cujos registros sobreviveram até hoje, podemos ter uma idéia de como se deu a transição. Em 1574, os africanos representavam apenas 7% da força de trabalho escrava; em 1591 era 37% e, em torno de 1638, africanos e afro-brasileiros compunham a totalidade da força de trabalho.

Os senhores de engenhos e escravos tiveram um considerável poder econômico, social e político na vida da Colônia. Eles formavam uma aristocracia de riqueza e poder, mas não uma nobreza por serviços prestados ou mediante pagamento. Entretanto, esses títulos não passavam aos herdeiros. Algumas famílias de senhores de engenhos e escravos era de origem nobre ou com altos cargos na administração portuguesa, imigrantes com posses, comerciantes que se dedicavam ao mesmo tempo à atividade comercial e à produção. Bem poucos eram fidalgos e nem todos católicos de longa data. Os Cristãos-novos estiveram bem representados entre os primeiros senhores de engenho baianos.

 

Empregado do governo com sua família no Brasil colonial.

Esta sociedade não vivia isolada no plantation. Isto é um mito! O tráfico de escravos movimentava a economia local e, além disso, pela própria natureza e localização de sua atividade, geralmente próxima a um porto, estavam em contato direto com o mundo urbano e com um olho no mercado internacional. Afinal de contas, sua riqueza dependia não só da capacidade de toca o negócio no Brasil, mas dos preços fixados do outro lado do Atlântico, nos grandes centros importadores.

Entre os dois extremos de senhores e escravos ficavam os libertos e os trabalhadores brancos que trabalhavam em serviços especializados como artesãos (ferreiros, carpinteiros, serralheiros etc.) e mestres-de-açúcar. Havia desde homens humildes, cultivando pequenas extensões de terra com dois ou três escravos, até outros que possuíam vinte ou trinta cativos e eram candidatos a senhores de engenho.

 

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2 opiniões sobre “Classe Social e Ordem Social

  1. Concordo contigo ao salientar o caráter não isolado da economia da América Portuguesa. Essa idéia é-nos passada desde os tempos de escola. É nosso dever mostrar como a nossa economia estava integrada não apenas pela venda dos produtos da plantation, mas também através do tráfico atlântico de pessoas a partir da África (tráfico esse que, em boa parte, era realizado por baianos), de banqueiros dos Países Baixos e da Itália que investiam e concediam empréstimos nas empresas coloniais, etc.

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